A minha terceira parada em Bali, foi no vilarejo de Ubud.

Ubud cheira à incenso e por onde você passa, vê oferendas e gente sorridente. Famosa pelos campos de arroz, retiros espirituais e pelo livro Comer, Rezar e Amar, Ubud era como eu imaginava Bali.

Finalmente encontrei os campos de arroz :) Só falta o meu grande amor balinês ♥

As lojinhas são lindas, há milhares de templos espalhados pelas ruazinhas do vilarejo e é infinitamente mais tranquila do que Kuta. Ubud é também considerada a capital cultural de Bali, cheia de festivais e celebrações.

Os templos e as pessoas amigas e fofinhas.

Claro que chegar ao vilarejo foi super tranquilo, como sempre é na Indonésia, com os transportes pontuais e de qualidade – só que nunca.

Comprei ainda em Gili a passagem para Padang Bai e fiquei esperando o barquinho na orla da praia. Lá eu conheci uma brasileira que vivia na Austrália e tinha ido viajar para Bali nas férias. Ela estava indo para Uluwatu, que é uma praia suuuuuper conhecida pelo surfe e, tcharam, pelos brasileiros :) Até restaurante com PF existe lá. Ela perguntou se eu não queria ir com ela, pois ela tinha reservado um hotel e poderíamos rachar a diária. Minha lombriga pensou no arroz&feijão e gritou “VAMOS YOZINHA”, mas eu estava decidida a ir à Ubud e tinha só mais 5 dias na ilha.

O tempo de viagem, segundo o mocinho do barco, era de, no máximo, 2h30. Saímos tranquilas de Gili, conversando em português, super felizes (depois de 3 meses, conversar com alguém em português é quase terapêutico). Só que o que deveriam ser 2h30 prazerosas de passeio pelas águas claras de Bali, se transformaram em 5 horas de sufoco no nosso submarino barco. As ondas estavam imensas e as janelas do barco praticamente ficavam embaixo da água. A primeira coisa que a menina fez foi colocar o passaporte na calcinha, “porque se afundar, eles conseguem identificar o corpo”. Metade da galera começou a passar mal e a outra metade ergueu os pés no banco, com medo da sujeira. Se você foi pra Bali procurando tranquilidade e paz, taí. Achou.

Galerinha toda chamando o Hugo.

Sabe Deus como, o barco conseguiu chegar em Padang Bai às 19h30, sem nenhuma morte. Só que esse horário já é noite na Indonésia e já está super escuro. Algumas vans estavam paradas no porto, esperando o barco chegar para levar os turistas para os diferentes vilarejos. A de Ubud custava 75.000 rúpias. Peguei essa e depois de 1 hora, fui jogada na frente de um supermercado no centro do vilarejo. Bem organizada que sou, não tinha reservado nenhum hotel para ficar. Andei pela rua e parei na primeira homestay com cara de preço honesto. Diária à U$10, com banheiro privado e café da manhã. :)

Cheguei em Ubud no meio de um feriado conhecido como Galungan. Ele ocorre a cada 210 dias e marca o momento em que os falecidos que foram cremados, retornam para visitar seus antigos lares. Esse ritual dura 11 dias e há várias celebrações durante o período. Logo na minha primeira manhã passeando pelo centro de Ubud, vi o pessoal organizando as coisas para uma celebração de cremação de um membro real, que ocorreria no dia seguinte. Perguntei para as pessoas da rua e para o dono da homestay como funcionava essa cerimônia. Pelo que eu entendi (e não, não entendi muito bem ahahaha) a esposa do atual chefe do “governo” de Ubud havia falecido em outubro. A cerimônia só poderia ser realizada no dia 1º de novembro, por ser um dia antes do final do Galungan.

Na primeira parte do festival, eles colocam o caixão da rainha numa torre de 30 metros de altura, decorada com demônios e asas. Os demônios têm os olhos bem abertos para afastar qualquer força ruim contra o caixão ou contra o ritual.

As decorações balinesas, cheias de detalhes e de demôninhos.

No dia da cremação, centenas de balineses empurram a torre pela rua, balançando suas asas (e toda sua estrutura). Os demônios então parecem que ganham vida com seus olhinhos perversos e ficam se mexendo por todo o caminho, como se tivessem acordados, assustando as forças ruins (e os turistas).

Um programa pra toda a família!

Quando eles chegam ao final da rua, o caixão desce pelo “escorregador” da torre e é colocado dentro de um touro de 10 metros de altura, enfeitado com veludo e mucho ôro, inshalá. Daí que vem a surpresa. O touro, feito de bambus, é que vai ser queimado, com o caixão dentro.

Nosso mascote, touro bandido 

Depois de queimado, os hindus pegam as cinzas do corpo e normalmente jogam ao mar, dependendo da família e do seu ritual. Os restos de ossos que não conseguiram queimar com o touro são colhidos, colocados num pano e entregues à um sacerdote hindu.

No dia da cremação, eu só passei pelo festival, mas não esperei o touro ser queimado por que havia uma multidão de gente esmagada por todos os lados e um calor que só a Bahia da Ásia, nossa querida Indonésia, é capaz de fornecer.

________________________________________________________________

Hospedagem: 

Ayu Homestay – Jl. Hanoman

Diária – U$10 com café da manhã

Transporte: 

Barco Gili-Padang Bai – U$20
Van Pasang Bai-Ubud – U$7,50


Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s