1. Pequeno dicionário de Bahasa

Morando ou viajando por outra cidade é sempre legal saber uma palavrinha ou outra da língua nativa pra não pagar de turistão total e tentar ganhar a empatia dos moradores locais :) (e descontos, claro).

Logo que eu cheguei aqui na Indonésia, o diretor da minha escola me deu um papel com as principais coisas que eu deveria aprender a falar em Bahasa, mas claro que eu só foquei nas que realmente são importantes:

Tô com fome: Saya mau makan.

Quanto custa: Berapa? –com cara de não-são-tão-turista

Tá muito caro: Mahal! –com cara de indignação.

Obrigada: Terima Kasih.

O suficiente pra sobreviver à qualquer situação. ahahah

Fora isso eu sei mais algumas coisinhas, como por exemplo, o que falar pra comprar comida (sempre o foco) e água, contar até 10, pedir pra ir pra tal endereço e outras coisinhas básicas que aprendi aqui na escola, como “Abre”, “Ele me bateu”, “Me dá” e “Parem de gritar”.

Como eu estou indo para Bali, pedi para uma das professoras fazer uma listinha de frases boas que podem me ajudar na arte da barganha. Coisas como: “Eu estou morando na Indonésia há dois meses” -então não tente me enganar Espertão-, “Qual é o mais barato?” e “Não dá pra baixar o preço, não?” AHAHA mão-de-vaca-do-ano, mas né? Ouvi dizer que em Bali eles cobram no mínimo 3 vezes mais num produto para turistas do que para locais. E que você geralmente não deve pagar mais do que a metade do valor cobrado inicialmente nas bugigangas que você quer levar :)

Pequena lista de frases para rolets mão-de-vaca.

O problema de sair por ai botando em prática todo esse meu não-vasto vocabulário nas ruas, é que as pessoas realmente pensam que eu sei falar a língua, e passam a conversar em Bahasa comigo. Daí eu tento explicar que cabô o conhecimento, só inglês agora, mas elas simplesmente ignoram e continuam falando e falando. Eu só sorrio. :)

2. Tecnique do caderninho

Aqui na Indonésia, como em diversos outros países, o pessoal sempre tenta ganhar dinheiro em cima de estrangeiros. E não é só em Bali, claro. Eu costumo comprar as coisas que eu preciso em lojas e mercadinhos, porque daí o preço tá lá e você sabe que não vai ser enganado. Mesmo quando eu como em barraquinhas na rua, eu tento ir nas que tem um ~menu~, já com os preços (mas não são tão comuns).

Barraquinha ~gourmet~, com listinha de preços honestos.

Só que quando eu quero comprar alguma coisa que não tem o preço fixado ou quando preciso pegar Ojet (moto-táxi), eu até sei perguntar quanto que custa e dizer que tá caro ahahah Mas nunca consigo entender exatamente o valor, se for maior que 10.000 rupias. Daí agora eu ando pra cima e pra baixo com um caderninho, pergunto quanto que é, e dou o caderninho pra pessoa escrever o valor :) Simples e eficiente. E como o pessoal aqui adora barganhar os preços, eu normalmente falo que tá caro, risco o valor que ele escreveu, escrevo o valor que quero pagar e mostro o caderninho. Daí ou a pessoa aceita ou escreve de novo outro valor. É até divertido ahahah

Tecnique eficiente de barganha

A outra solução é sempre levar um Indonesiano com você nos rolets ahahah

3. Não pergunte da onde veio a comida

Provavelmente a principal dica pra passar um tempo feliz nesse país. Se as vezes é ruim saber O QUE você tá comendo, pode ter certeza que é  sempre muito pior descobrir DA ONDE aquilo saiu. A dica principal é abstrair e não reparar nos detalhes. A maior parte das refeições aqui na Indonésia é feita ou em carrinhos de rua ou em restaurantes de qualidade duvidosa. Quando fomos pra Yogjakarta nosso amado amigo Indonesiano nos levou para jantar no “melhor espetinho de cordeiro da cidade”. Quando chegamos lá, eu e o Alemão já olhamos com aquela cara de “nossa, yumi, mas e se a gente pedir pizza?” ahahahaha

Nível Fasano da Indonésia.

E não é que o lugar tem até placa de melhor restaurante de espetinhos da cidade? E o espetinho era DIVINO, o melhor que eu já comi desde que cheguei. Até repetimos :)

No meu dia-a-dia, a maior parte dos meus almoços vem de carrinhos de rua, ou seja, é o manolinho camelando pelo Sol o dia todo, com os alimentos nem sempre muito bem estocados e um balde de água pra lavar a mão antes de começar a preparar o alimento. Nunca nunca nunca repare na cor dessa água, dica valiosa. Eu já desisti de ver como os pratos são feitos, hoje em dia eu fico reparando no movimento na rua e só olho quando o prato já tá pronto :) Até porque o que os olhos não vem, eu espero que meu estômago não sinta.

Os ingredientes e a higiene necessária para uma boa refeição.

Um outro dia desses eu estava comendo uma bolachinha típica daqui que parece polvinho e é super famosa. Tem de tudo quanto é tipo, de arroz, de peixe, doce, com os bichinhos da areia e tal ahaha Daí meu amigo Indonesiano decidiu me contar que um dia ele foi numa fábrica dessas que fazem a bolachinha de peixe. Ele me disse que o processo é todo bem simples. Eles pegam o peixe inteiro, sem limpar nem nada, com os ossos, olhos e tudo mais, colocam num balde e um ser humano vai lá com o pé sujo e fica pisando até aquilo virar algo mais parecido com uma pasta, preta e gosmenta. -Quase o processo do vinho italiano, penso eu.- E tcharam, bolachinha de peixe. Me pergunta se eu comi isso de novo desde então.

Se a de peixe é daquele jeito, imagina essa do bichinho de areia

4. Itens básicos

Aqui na Indonésia o que mais ocupa espaço na minha mochila é sempre o papel higiênico/caixinha de lenços de papel ahahaha Usar o banheiro muçulmano é uma coisa, agora ficar se limpando com a água da dengue não é pra mim não. O álcool em gel também é indispensável. Você quase nunca encontra pias pra lavar a mão e, vem na minha, você sempre vai estar com a mão suja e desesperado por um meio de limpá-la. E nos restaurantes é super difícil eles entregarem guardanapo junto com a refeição, mesmo quando o prato principal é arroz bolota e frango frito, sem talheres, claro. Taí mais uma utilidade pros lencinhos.

Repelente é outra coisa indispensável porque mosquito aqui tem na mesma proporção que rato. Eu sempre reboco minhas mãos e pernas com o creme repelente e comprei também um inseticida tamanho extra grande que tá quase no fim. ACHO que eu ainda não aprendi a brincar com isso, porque toda vez que eu vejo um pequeno maldito voador entupo a sala com o spray. Fica até uma névoa pairando no ar. Quando eu vejo uma barata então, coitada. São 5 minutos de spray ininterruptos no corpo da bichinha até eu ter certeza que ela não vai mais se mexer. E se ela se mexer, danou-se. Se não morreu com isso é porque é mutante e vai voar na minha cabeça assim que eu começar a correr :(

5. Faça amizades

Se você acha que Brasileiro é um povo simpático, é porque não conheceu ainda nenhum Indonesiano. Eles estão SEMPRE sorrindo, sempre dispostos a ajudar, querendo tirar fotos com você o tempo todo, dividindo o almoço e te fazendo provar novos pratos. E fazer amizade com ele é a coisa mais fácil do mundo, basta dar um sorriso ahaha O problema maior é quase sempre a língua, mas nas mímicas uma hora você acaba entendendo o que o outro está tentando dizer (ou finge que entendeu, e sorri de novo). Para os djovens, conhecer gringos é uma excelente oportunidade de praticar o inglês, então é super comum eles te pararem na rua ou no shopping só pra conversar qualquer bobeirinha (enquanto os amigues ficam de longe dando risadinhas).

As fofíssimas das minhas cuuulegas de trabalho <3

Além disso, todo mundo aqui adora me convidar pra ir visitar suas casas, por mais simples que essas sejam. E eles ficam SUPER felizes de te receber, fazem cházinho e a vizinhança inteira vem olhar a bule estranha que está na região. O que só me faz gostar ainda mais desse povo <3

Ter pelo menos um amigo Indonesiano é achar os rolets mais legais da cidade e pagar muito mais barato nas suas barganhas. E é também ter sua foto estampada como tela de fundo de celular, nos álbuns de recordações dos bebês e na foto de perfil do facebook de 10 diferentes pessoas, com a legenda “My Best Friend” ahahaha

6. Crocs

ME JULGA SOCIEDADE, mas aqui na Indonésia eu tô super na moda :) Crocs (e todas as suas variações com preços mais honestos) é  o sapato que todo mundo usa o tempo todo. Algumas pessoas ainda usam chinelas e outros sapatinhos baixos. Porém é raríssimo ver gente usando tênis, sem ser gringo. Até pra escalar o morro de 4h30 da morte, alguns Indonesianos que encontramos no caminho estavam com rasteirinhas ridículas e alguns até só de chinelo. Fiquei chocada. O único problema é que todo dia quando eu volto pra escola meu pé tá preto, porque essa cidade não tá na listinha de lugares mais limpos do mundo. Fora isso, Crocs é só conforto e alegria. (e sensualidade! ahahaha)

Então, se você tá vindo pra cá, ficaadica. Pega o Crocs, ignora os gritos julgadores dessa sociedade e vem ficar com a marca sedutora do Sol no pé, que nem eu.

7. Viva como um local

Claro que você pode vir pra cá e só comer no KFC, McDonald’s e Pizza Hut. Pode também só andar de táxi pra cima e pra baixo e comprar/usar os produtos que você já está acostumado. Ficar em hotéis bacanas e jamais experimentar uma home stay. Mas a parte mais legal da minha viagem com ceeeerteza é experimentar tudo de diferente (e normalmente estranho) que a Indonésia tem pra oferecer. Então em vez de ter certeza que eu vou comer algo que é gostoso no meu almoço, por exemplo, eu prefiro me arriscar num pacote de folha de bananeira surpresa, normalmente recheado com algo ~levemente~ apimentadíssimo e alguma mistura que nem examinando bem dá pra saber do que é formada.

Podia ser linguiça, mas é banana.

Meu café da manhã é feito pela Nanny aqui da escola. Sim, aquela mesma que me agracia todo o dia com um prato com dois quilos de arroz em cada refeição e que não entende que eu não gosto de pimenta. Agora o ~menu-da-manhã deu uma estagnada na montanha de arroz, miojão e café (mesmo eu tentando explicar que só miojo e café já são mais do que suficientes pra mim). Mas às vezes ela decide fazer um agrado surpresa e me traz umas comidas típicas daqui. Há sempre medo nessa hora, porque uma coisa é comer algo estranho no almoço, quando você já acordou, terminou de trabalhar e tem a oportunidade de sair e procurar outra coisa se não gostar da comida. Mããããs às 6 da manhã o cheirinho que vem é sempre de ci-la-da. Na última vez, recebi uma sacolinha preta com 5 coisinhas diferentes.

A Porta da Esperança do Silvio, traduzida em comida.

No saco plástico tinha arroz com carne, mas parecia paçoca. Na folha de bananeira tinha arroz unidos-venceremos com pedacinhos de frango. O bolo verde tinha queijo em cima, mas era doce ahaha Bolinho de cenoura frita e aquela coisa rosa eu nem tentei entender o que era, mas ooooo treco ruim. Café da manhã dos champs! :)

Muito mais legal almoçar no tapete mágico com sauna natural do que no ar-condicionado do shopping!

Além da comida, andar de Angkot me fez perder alguns movimentos das costas, mas me fez decorar muito melhor os caminhos da cidade, economizar meu ralo dinheirinho e fazer amizades de uma vida inteira, sem nem ao mesmo entender uma palavra do que a pessoa está falando :)

Tudo isso me fez entender muito melhor o dia-a-dia do pessoal daqui, e os hábitos e costumes dessa Indonésia maluca. E mesmo que metade dos meus rolets aparentem ser (e sejam) ciladas, são eles que fazem essa experiência ser tão divertida e interessante. :)

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