Yogyakarta (ou Jogjakarta) é uma cidade que fica há umas 4 horas daqui de Semarang, e super conhecida por seus templos e pelo mercado de Batiks. Decidi ir pra Yogya com meu amigo alemão, porque éramos os únicos da galere que ainda não haviam visitado os templos famosos.

Nossa sorte é que um dos nossos amigos indonesianos mora em Yogya, mas tem família em Semarang. Ele estava aqui e disse que poderia nos levar pra visitar a cidade no sábado de manhã, e nos trazer de volta no domingo de noite. Saímos beeeem cedinho no sábado e pegamos tortuosas estradas pra chegar ao nosso destino. Vale dizer que aqui (pelo menos na minha região), não existe highway. As estradas estão mais pra ruas normais, passando no meio de cidadezinhas menores, e com apenas uma ou duas pistas no máximo. O que significa, trânsito quase sempre, ultrapassagens perigosíssimas e emoção nível Indonésia.

Nem chegamos em Yogyakarta e fomos direto para o primeiro templo, chamado Borobudur, que fica há meia hora do centro da cidade. Esse é o maior monumento budista do mundo, foi construído no século 9 e, segundo os guias turísticos da região, é a atração turística mais popular da Indonésia.

As escadarias infinitas e a beleza do templo.

Assim como grande parte dos pontos turísticos daqui, eles tem duas entradas diferentes. Uma para turistas e outra para locais. Pois bem, locais pagam 30.000 rúpias para entrar nesse templo. Turistas, 190.000! Um absurdo a diferença! Seis vezes mais! (Entretanto, considerando a situação econômica do pessoal aqui da Indonésia, em parte eu até acho OK. Não precisava ser 6 vezes mais, mas beleza).

Em compensação, a fila de entrada para o pessoal da Indonésia parece de estádio de futebol. Umas grades e uma catraca no fim, super simples. Para turistas, o esquema já é diferente. Depois de extorquir o seu dinheiro, você entra numa sala toda preparada com ar condicionado, água, chá e café de graça, detector de metais e uma pessoa pra te ajudar a colocar o sarong, obrigatório para entrar no templo. Esse sarong é um pano, usado como saia por todo mundo, e pelo que eu entendi, serve para cobrir as pernas em sinal de respeito aos espíritos do templo.

6 vezes mais caro, mas a água pelo menos é de graça! :)

Começamos nossa subida pelas escadarias do templo e foi nesse momento que eu fui atacada pelo pessoal querendo tirar fotos. Até postei no feicebruik sobre o moço que me deu um cutucão e falou “photo, photo”. Coloquei meu sorriso ~miss-Brasil na cara e falei que ok. Daí ele deu um grito em bahasa que só pode ser traduzido como VEMGALERE-CORRE, porque veio gente de TODOS os lados, empurrando, gritando e correndo pra sair na foto. Resultado? 34 pessoas na foto e a senhora do meu lado esquerdo me abraçando no final (depois de finamente bater com seu guarda-chuva na minha cara).

Novo jogo – Onde estão Yozinha e Alex?

Ao recomeçar a subir os degraus do templo (e tentar fugir dos locais afoitos por fotos ahahaha) decidimos tentar fazer o Pradaksina. Segundo uma placa no começo do caminho, esse seria o método correto de percorrer o templo: Começando do leste, dando a volta em cada nível da escadaria no sentido do relógio e subindo para o próximo. São 10 níveis, pensamos que seria de buenas.. Até terminar o segundo nível, né? Com um calor que nem Bahia experimentou até então é impossível você não terminar o primeiro lance suando e pronto pra desmaiar. E em todos os níveis as imagens são relativamente iguais, então pedimos desculpas aos Deuses Budistas e seguimos com o resto da galera direto para o topo.

Se rolasse um ventilador, uma sombrinha e alguém me carregando nas costas eu até ia..

O topo é realmente muito lindo! São mais de 70 sinos e dentro de cada um há um pequeno Buda. Dizem que se você enconstar a mão nesse Buda, você tem sorte pro resto da vida, então é CLARO que eu enfiei minha mãozinha gordinha lá dentro. Ou seje, saizica que eu to protegida agora :D O problema desse templo é que muitas das estátuas estão desmontadas, peças foram roubadas e muita coisa foi destruída. Em um dos corredores do templo vimos um pessoal restaurando algumas peças e parte da estrutura que estava quase desmoronando.

Na volta, decidimos arrumar algum hotel pra passar a noite. Nos demos ao ~luxo~ de pagar 350.000 rúpias no quarto para os três, o que aqui na Indonésia já é considerado relativamente caro. Hotel com piscina, ar condicionado, chuveiro com água quente (primeira vez que vi aqui na Indonésia!) e café da manhã, por pouco mais de 10 doletas por pessoa. E eu ainda fiquei numa cama de casal sozinha ahaha 

Alemão, 28°C no AC, coberto; E a piscina que nem usamos.

De noite ainda fomos até a principal rua da cidade, que é onde se concentra o mercado de Batiks. Batik é um tecido muito popular aqui na Indonésia e as roupas feitas com ele são normalmente usadas em ocasiões mais formais, como casamentos e festas. Na escola onde eu trabalho, toda quinta feira é Batik Day, então todo mundo vem super arrumadinho, com camisetas e vestidos lhyndos e super tradicionais. Todo mundo menos eu, que continuo no esquema camiseta surrada e calça de pijama ahaha

A rua é toda uma bagunça. São centeeeeeeeenas de barraquinhas e lojas, vendendo exatamente as mesmas peças. E mais centeeeeenas de homens com seus carrinhos atarracados na bicicleta, te oferencendo um passeio pela cidade. Já tive uma discussão filosófica regada à chá mega adoçicado com meus amigos, sobre como é que as pessoas conseguem ganhar dinheiro nesse país, quando todo mundo vende/faz exatamente a mesma coisa, nas mesmas ruas e praticando o mesmo preço. E isso acontece o tempo todo. São 10 barraquinhas de comida igual por esquina, 5 de roupas por quarteirão e dois supermercados de diferentes redes em CADA RUA (sem brincadeira, em toda rua tem ou um Indomaret ou um AlfaMart. Toda rua.). Quando saímos de ambos os templos em Yogyakarta, fomos jogados em um labirinto com centenas de lojas de souvenir. Todas vendendo exatamente a mesma coisa. Uma do ladinho da outra, por 20km. E não tem jeito de escapar, a saída do templo cai diretamente nessas barraquinhas e é um percurso de meia maratona pra conseguir sair de lá.

Roupas na rua e nas lojas e a galere sentada no chão pra comer nas barraquinhas de comida.

No dia seguinte decidimos ir logo cedinho para a praia, com a promessa de que teríamos lagosta para o almoço. Foram mais de 3 horas numa estrada cheia de curvas para chegarmos na costa, e eu só aguentei porque a lombrigaaqui revirou ao ouvir o ~menu do dia~. Chegamos ao mar, botamos a patinha na água e só. A água nem era tão limpa e não curtimos tanto o visual. Fogo que depois de ir pra praias maravilhosas você passa a ficar chato e seletivo ahaha Santos nunca mais! (mentira Santos, tamo junto logo menos). Passamos pelo mercadinho de frutos do mar, que é bem legal. Vários peixes, lulas, polvos e camarões, distribuídos em diversas barraquinhas, todas com os mesmos preços ahahah

Só de ver o tamanho desse camarão de novo, meu estômago fez barulho :(

Depois disso, fomos comer a nossa lagosta. O mais engraçado da praia é que eles deixam o preço da lagosta em branco no cardápio. O que significa que eles cobram de acordo com o cliente. Jogamos nosso amigo Indonesiano na frente, de isca, pra perguntar os preços e acabamos pagando 80.000 rúpias num prato de lagosta ao molho, acompanhado deeeee.. arroz! 15 reais e minha lombriga mais calma e feliz!

Pena que é tão pequenininha :(

Depois do almoço maravilha, partimos para o segundo templo, este hindu e chamado Prambanan. Ao contrário de Borobudur, ele fica no centro da cidade. É imensoooooo e lindo demais! Mesmo esquema do primeiro, locais pagando mais barato (30.000) e a turistada pagando 165.000, se não me engano. Pegamos nosso sarong e nosso tratamento de água VIP e seguimos para os templos. São 8 na área principal, mas antes haviam mais de 240 no total. Acredita-se que muito foi destruído pelo vulcão Merapi que fica ali perto ou por terremotos. 

Magnífico!

O que eu recomendaria nesses lugares é pagar um guia pra entender mais a história do lugar. Nós não pagamos porque quem tem dinheiro? nosso amigo conhecia boa parte da história e foi nos explicando mais sobre o lugar. Além disso, achamos um grupo de gringos com um guia e ficamos na cola deles, tentando escutar as explicações ahaha

Detalhes incríveis no templo e um pôr do Sol de arrasar!

Assistimos ao pôr do Sol no templo e depois disso já voltamos pra nossa tão amada Semarang num trânsito de quase 6 horas, graças à um infinito engarrafamento de caminhões. Yogyakarta é uma cidade linda e todo mundo que vem pra Indonésia deveria visitar. Ambos os templos são incríveis, cheios de detalhes e de história, e sabe se lá até quando eles ainda vão ficar de pé..

 
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