Claro que nem só de lindas praias, templos exóticos, florestas, vulcões e campos de arroz vive a Indonésia. Segundo o World Bank, o país tem 12% da sua população abaixo da linha da pobreza; no Brasil são quase 22%.

Em compensação, a renda média anual per capita na Indonésia é de U$ 3.420, enquanto no Brasil é de U$ 11.630 (o que faz o Brasil ser um país escrotamente desigual e não tão pobre, mas que não vem ao caso agora). O fato é que a Indonésia está longe de ser um país rico e desenvolvido, e possui vários problemas que não ficam estampados nos folhetos das agências turísticas.

O dinheiro

Quando você chega na Indonésia e vai todo pimpão na casa de câmbio trocar o dinheiro, descobre que com 100 doletas você se tornou rapidamente um pequeno milionário, tendo em mãos agora, em média 1.100.000 rúpias. Bom pra você amigo turista, ruim pro pessoal daqui.  A maior cédula de rúpia indonesiana é uma nota de 100.000; fazendo as contas, 8.80 dólares ou 19 reais. O que já te dá uma noção de como a economia do país não tá nas melhores.
O salário mínimo daqui é diferente em cada província . O menor mínimo do país é 850.000 rúpias (163 reais) e o maior, na província de Jakarta, é 2.200.000 rúpias (422 reais). Mas é claro que metade da população trabalha em empregos não registrados ou fazendo bicos, e então ganhando menos do que isso. Andando pela cidade você vê muita gente mais humilde, pedindo dinheiro no farol e muitas casinhas super simples. As refeições diárias e normais custam entre 5.000 e 10.000 rúpias. Mais que isso já é caro. Umas das professoras na minha escola perguntou o que eu poderia comprar no Brasil com 5.000 rúpias (0.96 centavos). Pensei, pensei e pensei, e disse que achava que 1 barrinha pequena de chocolate. Ou 4 chicletes. Isso, se já não tiver aumentado.
 
Casas de papelão, córrego sujo no meio. Não é só no clima que a Indonésia se assemelha ao Brasil.

Entre os empregos não-registrados/bicos mais comuns, temos aqui infinitos flanelinhas, massagistas e cantores de rua. Foco pra esse último. Normalmente é uma dupla, um com um cavaquinho e um com uma caixa de madeira. O vocal é péssimo, a música não tem ritmo nenhum e é totalmente irritante. E eles ficam cantando até alguém se irritar a ponto de dar dinheiro. Ou seja, a gente paga pra eles irem embora ahahaha

Lixo

Lixo por todos os lados. O pessoal daqui não se importa muito com o lixo nas ruas, com gente jogando resíduos pela janela do ônibus ou pela porta do angkot. A primeira vez que eu vi uma menina jogando um saco plástico com suco pela janela da mini-van, fiquei em choque. Ainda mais porque ela estava com uniforme de uma escola de ensino médio, então pensei que teria mais consciência. Lancei meu olhar “nossa, que feio jogar lixo pela janela”. Ela nem se abalou.
 
Lixo por todos os cantos da cidade.

Quando fomos pra Malang, conhecemos uma galere djoven do CouchSurfing e alugamos dois carros com eles para ir pra praia. Estávamos no carro de trás, seguindo o primeiro, quando uma mãozinha com uma sacolinha de mercado cheia de lixo pontou da janela do carro da frente. Puf. Lá se vai sacolinha pro meio da estradinha.

Falta de saneamento básico e de coleta de lixo.

Ratos

Aquilo que acabou de passar rapidinho perto do seu pé? Rato. Aqueles dois corpos enormes e peludos, um DENTRO da pia e um no chão da cozinha da escola onde você trabalha e mora na Indonésia, que você viu na sua segunda semana aqui? Ratos. Aquele gatinho peludão e grandão que acabou de atravessar a rua? Era um rato. Aquele pássaro que acabou de pousar ali fora? Devia ser um rato também. Rato alado.Vai saber. Aquele negócio boiando nas águas límpidas da praia?

OH WAIT. A água clara e um rato de brinde nas ondas.

A Indonésia tá cheia de ratos. Enormes. Gordos. Peludos. A história sobre ver dois na cozinha aqui da escola na segunda semana não é mentira. Tive uma pequena crise de pânico quando vi. Gritei. As meninas que trabalham no DayCare riram :) Desde então eu evito ao máximo ir até a cozinha, que fica num quartinho separado da escola. Se vou, tento levar alguém comigo. O problema é que eu sei que meu café da manhã sai de lá todo dia..

Animais

Uma das piores coisas aqui da Indonésia. O tratamento aos animais aqui é péssimo. Num farol aqui pertinho da escola tem um desgraçado ser humano que fica pedindo dinheiro no semáforo com um macaquinho preso numa corrente. É simplesmente terrível. E todo mundo que passa acha uma graça. Uma das professoras da minha escola já me mostrou rindo e um motorista de Angkot já me deu um cutucão pra eu olhar. E supostamente os dois queriam que eu desse dinheiro pra esse monstro.

Foto da minha amiga, de outro macaquinho em outro ponto.

Quando chegamos em Malang, nosso host do CouchSurfing perguntou aonde queríamos ir. Pedimos pra ele sugerir algum lugar e ele falou que logo ali, pertinho da estação de trem, eles tinham um Pet Center. Eu tinha certeza que a gente ia parar numa loja de coisinhas veterinárias, que nem a da Marginal em SP, já achando que ia ser um tédio. Ledo engano e péssima surpresa. O lugar é um mercado de animais na rua. E nas piores condições possíveis.

Milhares de gaiolas e passarinhos. Peixinhos vivendo em saquinhos minúsculos.

Foi o pior lugar que eu já estive aqui na Indonésia. São umas 5 ruas IMENSAS, com milhares de barraquinhas e animais de todos os tipos e tamanhos. Todos amontoados em gaiolas MINÚSCULAS, sem espaço nem para se mexer.

:(
“Será que eles ficam muito bravos se a gente correr e soltar todos os bichinhos?” :(

Sons da cidade

Eu sempre quis morar em uma cidade em que eu acordasse com o som de passarinhos cantando, ou com o barulho das ondas quebrando, ou até um galo cacarejando tava de bom tamanho.

Não é assim aqui, claro. Eu acordo com o holofote da mesquita às 4h30 da manhã, todos os dias. Uma voz masculina, monótona, sem emoção alguma, falando em bahasa/árabe que tá na hora de rezar. Allah que me perdoe, mas não podia ser mais animadinho? Mais curto? Mais baixo o volume?

O segundo som mais marcante de Semarang são as buzinas. O tempo todo. Em todo lugar. Tem uma hora que você se acostuma, e não liga mais tanto pra elas. E é nesse ponto que elas se tornam inúteis e ao mesmo tempo mais irritantes. Como todo mundo já está acostumado ao som e já nem olha mais pra quem tá buzinando, quem tá dirigindo decide buzinar ainda mais pra chamar atenção do resto das pessoas, e voltamos ao Ciclo da Vida Eterna da Buzina aqui da Indonésia.

Transporte + trânsito

Nossa, mas é ruim viu. Já falei do tranporte aqui, mas é porque o negócio é ruim mesmo. Não importa pra onde você esteja indo, sempre que você tiver que pegar qualquer meio de transporte público nessa cidade você já manda aquele beijo pra sua coluna, pro conforto e pros seus ouvidos. Asveiz me dá até saudade do Calmon Viana (mentira, exagerei ahaha) É emoção do começo ao fim.

Pegar ônibus aqui significa ir com aquele ser humano agarrado na porta, gritando o nome do destino do ônibus numa sequência de 150 vezes por minuto. O nome do meu bairro aqui é Banyumanik, então quando eu pego ônibus pra vir pra cá, é MANIKMANIKMANIKMANIK na minha orelha do momento que eu tô pra entrar no ônibus até eu desembarcar. Se eu pego angkot (mini-van) é o motorista que vai buzinando e falando.

E com 100% de chance de você achar pelo menos: 1- alguém fumando dentro; 2- alguém jogando lixo pela janela; 3 –motorista suicida; 4- veículo sem freio; 5- veículo em péssimas condições (bancos sem estofado, teto de ônibus rangendo, barras de ferro enferrujadas).  As chances caem pra 98% de você achar tudo isso junto.

Cigarrinho na mão, olhar sensual no espelhinho

A última experiência que eu tive pegando ônibus aqui dentro da cidade foi péssima. No meio do caminho o motorista simplesmente decidiu parar o ônibus LOTADO num ponto qualquer e deixar dois cantores de rua entrarem pra fazer uma ~apresentação~. Foram 10 minutos com o ônibus parado, ouvindo uma música horrível com eles gritando e tocando sem ritmo algum. Valeu motô.

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