Nossa pequena trip pra Ungaran começou na noite de sexta-feira. Meus amigos me perguntaram na quarta de noite se eu queria ir “subir essa montanha, não leva nem duas horas e ainda tem uma paradinha no meio, vamos de noite pra ver o nascer do sol, SUSSA”.  

Metade do meu ser, a parte inteligente e lógica que eu deveria ouvir, gritou “SAI YO, subir montanha significa ciladaciladacilada”. Muito esperta que sou, ouvi a outra parte que pensava que duas horinhas andando não matariam ninguém e tudo seria recompensado pela vista do nascer do Sol. Meu outro amigo me mandou a listinha de coisas que eu teria que levar: lanterna, saco de dormir, casaco pra chuva e comida. Dentre todos, só levei a comida, claro. ahahaha

O monte Ungaran fica ao sul aqui de Semarang, e é o ponto mais alto de toda a cidade. Pra chegar lá, primeiro alugamos um Angkot exclusivs e dale uma hora de viagem no treme-treme até o ponto em que não há mais estrada e que os carros não sobem mais. Éramos 7 pessoas, 5 estrangeiros e 2 amigos indonesianos que já haviam feito aquele caminho várias vezes. Seguindo a minha lógica de que Indonesiano não gosta de andar pra nada, um sorriso natural brotou em minha face e eu comecei a caminhada feliz e contente. Por 5 minutos né? Gente, quem tem condicionamento físico nessa vida? hahaha E não era uma subidinha normal, era um morro em 90° logo na chegada. 

Ela e a charmosa cidade de Semarang de noite :)

Passado o morro da morte no começo, a trilha não é das piores nessa primeira parte.. O único problema é andar no escuro porque a lhynda aqui tava sem lanterna. Então eu tinha que ir na cola dozcolega que tinham, fazendo o maior esforço pra conseguir pisar em lugares seguros. E daí quem foi que pisou em falso, caiu e ralou o joelho? AHAHA :) Nesse momento um dos meus amigos indonesianos (que ~supostamente~ não tinha percebido até então meu sofrimento de andar no escuro) disse que tinha uma lanterna reserva. Oi amigo, meia hora andando e você só fala agora?

Bom, segundo o “cronograma”, deveríamos andar uma hora, chegar num lugar pra descansar, acordar às 3h da manhã e andar mais uma hora pra chegar no topo da montanha. Chegamos na hospedaria às 23h30, o que já contava uma hora de cainhada a mais no totalmente falso cronograma. Dessa vez quando disseram que ficaríamos numa Home Stay, eu já fui preparada pra dividir um colchão de solteiro com mais 3 pessoas. MÃS ESSA Indonésia trollona tá sempre ai pra surpreender a gente :)

Costas no dia seguinte, pra quê?
Pois bem, a Home Stay da vez era um tablado de madeira, PONTO. Preço? 2.000 rúpias (sim, menos de 0.40 centavos..) Quando a gente chegou ainda era madrugada e só dava pra ver o lugar com ajuda da luz das lanternas e de uma única lâmpada fraquinha no centro da casa. Como teríamos poucas horas pra dormir, todos os 7 se aconchegaram no tablado verde, se preparando pra ~melhor noite de sono de todas. Nisso, eis que surge um grupo de Indonesianos que também iria escalar a montanha na madrugada, pra dormir na nossa hospedaria. Luz na nossa cara, música alta no celular, risadas e mucho amor emanado pra eles <3 Já estava difícil dormir pelo frio e pela falta de uma posição minimamente confortável no tablado de madeira. Com a bagunça deles então ficou impossível. Quando todo mundo se acalmou, eu tenho a sensação de que fechei os olhos e já era hora de acordar.

Às 3 da manhã acordamos e começamos o caminho de Javé em direção ao topo da montanha. Só que essa trilha era totalmente diferente da primeira. Andamos 10 minutos por uns campos de plantação de café e logo em seguida começaram as pedras, subidas infinitas e mata fechada. Tudo isso, no escuro claro. Minha amiga do Egito desistiu nos 20 primeiros minutos ahaha Um dos indonesianos ficou com ela e então nós seguimos. O que disseram que duraria 1 hora, acabou virando 2 horas e meia. Arrependimento BATEU de não ter ficado com a menina na primeira parada ahahaha Teve uma hora que eu não sentia mais minha perna, tava pingando suor e arfando. Sedução sempre, porquê né? ahahaha

“É fácil gente, uma trilhinha de boa e logo menos estamos lá!”

Quando deu 5h15 ainda tivemos que dar aquela ~leve~ acelerada pra chegar no topo antes do sol nascer. Leve acelarada significa que eu fui rastejando até lá em cima, porque força eu não tinha mais. Claro que quando você chega no topo percebe que todo o esforço vale a pena, todo mundo feliz, sentindo orgulho de si mesmo por ter conseguido, se abraçando, estourando a champagne, e daí lembrando que tem toda a descida pela frente. PÁ. Depressão e realidade na sua cara.

Tava difícil até ficar em pé pra tirar foto.. ahaha

Brincadeiras à parte, o nascer do Sol foi lindo! Parecia que ele estava surgindo no meio da cidade, e não lá na linha do horizonte como normalmente acontece. Além disso, estávamos acima das nuvens e com uma vista incrível da cidade que hoje em dia eu chamo de casa <3.

Descanso de meia hora no topo da montanha e bora começar a descida. Se tratando de Indonésia, é só o Sol pensar em nascer pro calor devastador tomar conta de todo o espaço. A descida foi bem mais rápida (fui rolando, claro). Dessa vez não precisava mais de lanterna porque já era de dia, mas eu consegui escorregar muito mais vezes do que no escuro. Pense num corpo meio mole tentando descer a montanha cheia de pedras. :)

Meus amigos estão combinando de escalar aquela outra montanha daqui 2 semanas. PENSA se eu vou. ahahaha

Voltamos pra vila aonde havíamos passado a noite para descansar antes de voltar para Semarang. E foi na luz do dia que realmente vimos como era nossa hospedaria. Fomos deitar de novo no nosso tablado de madeira por uma hora, acompanhados de todas as moscas do universo. Porém o cansaço era tanto que eu simplesmente apaguei. Acordava pra espantar uma mosca na minha perna, virava e dormia de novo. Acorda de novo, espanta de novo, dorme de novo. E assim durante uma hora. Sonhei com moscas que falavam. Juro.

Cama e banheiro da nossa hospedaria. Higiene e conforto que você não acha em um Hilton da vida.

Acordamos de vez e decidimos fazer o caminho da roça de volta para Semarang. Nossos amigos disseram que havia uma piscina com vista legal e tirolesa ali pertinho e que poderíamos passar lá antes de ir embora, já que era no mesmo caminho para a cidade. Claro que não era nem um pouco pertinho. Foram mais dias e dias caminhando até chegar ao lugar.

Aprende como que faz Faustão!

Chegamos morrendo de calor, de cansaço e de fome. Lá eles também tem um restaurante, então aproveitamos para almoçar e cair na piscina. Porém, ao contrário de todo calor que existe nesse país, a água dessa piscina é a mais gelada do MUNDO. Fiquei uns 15 minutos meio congelada na água porque depois que eu entrei não tinha mais forças pra conseguir sair ahahahah A tirolesa até parecia legal, mas todos desistimos de fazer porque depois da descida com a corda, teríamos que subir de volta à pé ahaha SENTE o nível do cansaço.

Relaxando na piscina com a vista íncrível depois dos 91913 km de caminhada.

Meu amigo disse que o plano depois da piscina era descer até o pé da montanha e pegar um ônibus normal pra voltar pra casa. Eu ri. De desespero. Não conseguia andar pra fazer a tirolesa, que dirá descer até o pé da montanha. Jamais. Ligamos pro gentil manolinho do Angkot que nos trouxe e pedimos pra ele vir nos buscar novamente hahaha Ele atrasou uma hora e meia do horário combinado, mas pelo menos eu fui deixada aqui pertinho da escola. Morri o resto do fim de semana. :)

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