Minha segunda viagem aqui na Indonésia foi pra Dieng Mountains, com o pessoal do escritório da AIESEC, que organizou tudo e nos chamou. O combinado era nos encontrarmos às 6h da manhã do sábado, direto no terminal de ônibus aqui de Semarang. Minha amiquinha polonesa decidiu pernoitar aqui no meu nem-um-pouco espaçoso quarto, já que o terminal fica à uns 10 minutos da escola. Acordamos cedo pra caramba, e às 5h50 já estávamos no terminal. Só nós, é claro. O pessoal da AIESEC chegou lá pelas 7h30 :) Pontualidade s2s2. Nisso eu fui descobrir que, cansados de esperar estrangeiros que geralmente se atrasam, o povo da AIESEC sempre marca as coisas e avisa os intercambistas que vai começar 1h ou 1h30 antes. Confiança no coleguinha é isso minha gente.

 Acabamos saindo do terminal umas 9h da manhã. Lá eles nos deram duas opções de ônibus: o normal, que é claramente o ônibus mais velho da linha, sem ar condicionado e com ambulantes de brinde, ou o ~executivo~ que tem ar condicionado e para em menos pontos pra pegar passageiros (ou seja, não tem aquele ser humano agarrado na porta gritando). Escolhemos o executivo porque a diferença era de 1 dólar entre os dois. Só que esse ônibus só foi até metade do caminho e depois tivemos que pegar outro ônibus que já estava lotado e ainda um terceiro, mais lotado ainda, no qual Yozinha fofinha foi sentada praticamente no colo do motorista fumante, com mais 3 passageiros do lado (onde num mundo ideal caberiam três pessoas, contando já o motorista). Chegamos na cidade depois de 4 horas infiniiiitas de viagem. 

A menina da AIESEC responsável pela acomodação decidiu nos levar pro nosso hotel para deixarmos as malas e irmos dar um rolet pela cidade. Na porta já descobrimos que era uma home stay. – Pausa para reflexão sobre a gramática na nossa vida, essa grande trollona. Hotel é uma coisa. Home stay é outra. O lugar que a gente ficou tá numa terceira categoria, que eu ainda nem consigo encaixar como meio de hospedagem. – Chegamos no lugar e tcharam:

Quarto com vista panorâmica e cozinha gourmet.
Todo mundo deu aquele sorriso amarelo de “nossa, que lugar ba-ca-na pra passar a noite”. PLUS, nós estávamos em 13 pessoas e teríamos direito a 4 quartos,  ou seja, colchões com 3 ou 4 pessoas amontoadas uma em cima da outra. Perguntamos então quanto ia custar: 20.000 rupias por pessoa, por noite. Todo mundo parou por 10 segundos, fazendo as contas, recontando e contando no dedo de novo pra ter certeza. Menos de US$2, e algo em torno de R$ 3,87. Passamos a olhar o lugar com olhos mais amorosos depois disso :)

Vista do banheiro coletivo e o corredor da sala. Por menos de 4 reais, TÁLHYNDO.
Fomos enfim dar o passeio pela cidade. Primeiro fomos à um templo Hindu lindo do século 8. Haviam centenas de outros templos na região, mas apenas oito resistiram ao tempo. Inclusive a palavra Dieng significa “Abode God”, que pode ser traduzido como Morada de Deus :) (Yo também é cultura). 

Das coisas da vida que eu nunca esperei encontrar em um templo Hindu antigo na Indonésia: Teletubbies. Mas Tinky Winky e Po estavam lá, descansando depois de um dia cheio de diversão. Ai ai Indonésia…

Onde mais encontrar tamanho mix entre o clássico e o muuderno? :)

Depois disso seguimos para um lugar chamado Kawah Sikidang, que certamente se traduz pro português como CILADA. Ninguém sabia explicar direito o que era o lugar, e na melhor das explicações eles disseram que se parecia com um caldeirão, mas que também lembrava um vulcão. Hm, ok, até parece legalzinho. Chegando perto do lugar um monte de vendedores correram na nossa direção pra tentar nos empurrar máscaras descartáveis tipo de hospital, que deveriam ser usadas pra proteger a boca e o nariz da fumaça. Mãos de vaca Corajosos o suficiente, decidimos não comprar. Mais 10 minutinhos andando e chegamos enfim ao lugar. Sério, é o ~ponto turístico~ mais feio, fedorento e sem graça que eu já vi na vida. Tudo se resume à um buracão no chão, com uma massa cinza e provavelmente tóxica que fica borbulhando, fumaça e um cheiro insuportável de morte. Eu só fico pensando em quem teve a incrível idéia de transformar isso em atração turística.

Ponto turístico ótimo para fotos e cartões postais bonitos.

Acho que ficamos 5 minutos admirando a beleza desse negócio e todo mundo concordou em sair dali. Gastamos muito mais tempo comendo nas lojinhas típicas do entorno ahaha Depois seguimos para o último ponto turístico do dia. Um lago que muda de cor dependendo da hora do dia (reza a lenda que ele fica verde, azul, amarelo e até vermelho). Claaaaro que não mudou durante o tempo que a gente ficou sentado olhando, mas a vista do lugar é linda :) 


Típicas lojinhas de comida e o lago que não muda muito de cor não.


Por estar no meio das montanhas, a cidade é gelaada pra caramba. Quando me disseram que faria frio eu nem botei muita fé, por que né? Indonésia dos 40°C. Porém de noite, naquele projeto de quarto, com um colchão finíssimo no chão, um cobertor e paredes de madeira, foi complicads. Só não tava pior porque com mais duas pessoas dormindo amontoadas no mesmo colchão de solteiro que você dá uma leve esquentada. Em compensação, esqueeeece tentar mudar de posição. Deitou, ficou. 

Acordamos às 3h da manhã porque o ponto principal em se ir pra Dieng Mountains é ver o nascer do Sol das, adivinhe só, montanhas. Alugamos uma caminhotezinha que atrasou e só chegou no lugar onde estávamos às 4h30. E lá vai 13 neguinho tomando vento gelado na cara por uma hora, sem café da manhã. Ser turista é foda ahahaha 

O problema é que eu acho que um carro desses não deveria aguentar 13 pessoas na caçamba e mais o motorista.. Então da home stay até as montanhas o carro foi fazendo um barulho de motor estourando. Quando chegava em alguma subida, os meninos tinham que descer, subir o morro a pé e depois voltar pra caminhote ahahah O que eu mais gosto aqui da Indonésia é que a segurança sempre vem em primeiro lugar :)

Êêeee Goiânia.
Chegamos ao pé da montanha de onde se tem a melhor vista pro pôr do Sol, mas ninguém havia dito que ainda faltava uma trilha de 45 minutos pra chegar lá no topo. PENSEM em alguém que já acorda bem humorada, sem café da manhã, com sono, frio e dor nas costas, e uma subida de 45 minutos pela frente. Emanei mucho amor. <3

Devido ao atraso do tio da caminhote, o Sol já estava quase nascendo quando começamos a trilha. O que significa que ainda tivemos que correr pra conseguir chegar ao topo em tempo de ver o Sol nascer. Cheguei lá arfando, tossindo e parecendo uma velha depois de uma maratona. Meu condicionamento físico mandou um beijo! Mas é claro que valeu a pena :)



Perfeição.


Depois do nascer do Sol, voltamos pra cidade pra comer alguma coisa e já voltar para Semarang. Metade do pessoal foi pro mesmo restaurante que tínhamos almoçado na véspera e eu e duas amigas decidimos procurar algo diferente pra comer. Nisso achamos essa senhora vendendo Sate Ayam, que é um espetinho de frango com molho de amendoim que eu adoro acompanhado do sempre presente arroz. Vou me abster de comentar sobre a qualidade da barraquinha dela, ou sobre a cor do balde de onde ela tirou o meu amado molho de amendoim ou ainda da cor da água que ela usou pra lavar as mãos antes de pegar o frango e colocar no espetinho. Paguei 5.000 rupias no meu almoço, sendo até agora o mais barato que eu já tive desde que cheguei aqui ahahaha BELEZA que no meu espetinho veio uns pedaços de frango estranhos e um monte de coraçãozinho (que eu não gosto), mas que eu realmente espero que sejam de frangos..

Na volta tivemos que pegar ônibus “normais”, porque o executivo ia demorar mais de duas horas pra sair. O que significa seeeempre muita aventura e emoção. Os três ônibus que tomamos vieram chacoalhando sem parar durante as 4 horas de viagem. Um amigo meu até passou mal e teve que pedir pro motorista parar o ônibus. Foi a única vez durante todo o percurso que o ônibus realmente parou, porque de resto é gente pulando pra dentro e gente pulando pra fora ahahah Depois do que pareceu uma eternidade, chegamos incrivelmente sãos e salvos à nossa querida Semarang :)

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