Minha primeira viagem aqui na Indonésia foi logo no meu segundo fim de semana aqui, para Karimunjawa. O escritório da AIESEC estava planejando fazer essa viagem, mas eles cancelaram umas três vezes antes de eu chegar, por n motivos.

Então minhas duas amiguinhas polonesas decidiram ir mesmo sem a AIESEC e me chamaram :) Como não falamos bahasa e aqui na Indonésia as pessoas tem mania de tentar cobrar preços mais altos pra turistas, decidimos fechar um pacote com uma agência de viagem. Sairíamos no sábado de manhãzinha e voltaríamos na segunda-feira de tarde. O pacote incluia o transporte até a ilha e de volta à Semarang, os três dias de hospedagem, todas as refeições, dois passeios de barco, snorkeling 3 vezes, fotos com a câmera subaquática, nadar com tubarões e um guia pra ficar com a gente durante toda a viagem. Tudo isso por US$ 75.  :)

Karimunjawa das águas claras <3

Fomos no sábado de manhã para a marina de Semarang, de táxi, porque ela fica no meio do nada. Do nada mesmo. A marina é bem feinha, bem suja e com bastante gente pedindo dinheiro e tentando vender óculos de sol e mapas.  O horário marcado era às 8h40, mas ninguém da nossa agência chegava. 8h45 e laaaá de longe vem correndo Mister John, nosso guia, com seu amigo, os dois trabalhados na camiseta havaiana, câmera no pescoço e chinela. O que você espera de uma agência que vende pacotes para estrangeiros? Guias que falem inglês, certo? BOM, não o nosso, claro. Nosso amado Mister John tem um vasto conhecimento da língua inglesa, dividido em 4, e apenas 4 palavras: Yes, No, Later e “Up to you”.

E você achou que eu tava zuandsss quando falei da camiseta havaiana..

Entramos no barco, sentamos em lugares errados porque nossos guias fofinhos não explicaram que a gente tinha lugar marcado, ouvimos todos os outros indonesianos falando sobre isso e rindo, e a única coisa que entendemos era “bule, bule” que é como eles chamam gringo aqui na Indonésia. Depois disso foram 3 intensas horas até a ilha, com direito ao vídeo de segurança sobre o barco mais profissional  que já vi (NOT), uma incrível seleção de clipes indonesianos, todos com efeitos muuudernos de neve, chuva e muita dramatização, e muuuuita gente passando mal e chamando o Hugo. Foda.

Enfim, todo o esforço vale a pena quando se chega à Ilha principal :) Assim que você sai do barco você já vê a água clarinha e claro que o clima desértico daqui não ia desapontar, então tivemos MUITO sol na cara. Fomos direto pro nosso super hotel, que descobrirmos na verdade ser uma home stay. Um quarto, uma cama, um ventilador, três pessoas. E isso porque era quarto executivo ahaha Por ser uma ilha sem muitos recursos, a eletricidade só funciona das 18h às 6h, todos os dias. Ou SEJE, você é obrigado a acordar às 6h da manhã (claramente não antes de já ter sido acordado às 4h30 com o holofote das mesquitas), porque às 6h01 e sem ventilador a temperatura do quarto já tá fazendo cosplay do inferno.. :)

Executive Home Stay, imagina a econômica!

Almoçamos e já fomos pro nosso primeiro passeio de barco e snorkeling. Éramos só nós 3, os nossos dois guias, um menino da Alemanha que conhecemos na home stay e se juntou ao grupinho, e mais 2 caras que tomavam conta do barco. O barco era beeeem simples, mas não balançava tanto e foi super tranquilo o passeio. Paramos no meio do mar e do barco já dava pra ver os corais. Descemos e vimos fáareos peixinhos, plantinhas submarinas e claro que eu meti o joelho no coral, minha amiga raspou o cotovelo e a mão e a outra tirou a máscara e ficou com o olho ardendo. Elegância e charme dentro da água sem iguais :)

Quero mais o quêee?

Nosso amado guia e seu amigo estavam SEMPRE à postos com as máquinas fotográficas. E quando eu digo sempre, não é exagerando. Tenho mais de mil fotos dessa viagem de 2 dias e meio, só das câmeras dos dois. Isso sem contar que, além da câmera, Mister John tirava fotos também do seu celular ahahaha Uma hora percebemos sem querer que o plano de fundo da tela do celular dele era uma foto nossa na praia (Y) Tudo que você sempre esperou de um guia turístico ahahah

Depois disso, seguimos pra uma ilha meio deserta pra ver o pôr do sol. Ali só mora uma pessoa, e suas três galinhas -sem brincadeira ahaha. A ilha é maravilhosa, pequenininha, longe de tudo, super romântica e tal, quedê meu boy magia? Mas sem crises, quem precisa de boy magia quando você tem Mister John e um book fotográfico (ridículo) de graça na praia? hahaha Ele inclusive nos disse que dá pra alugar aquela ilhota e algumas outras pra passar uns dias ou fazer uma festa e tal, por US$ 200 a diária! :)

Se preparem amigues, vou deixar o Habib’s de lado e fazer meu próximo niver aqui :D

No dia seguinte, às 7h, depois de um bravo café da manhã com arroz apimentado, pepinos e frango, já estávamos no barco de novo. Só que dessa vez sem exclusividade ahaha nos colocaram num barco do mesmo tamanho do dia anterior, mas com mais umas 25 pessoas, todo mundo amontoado. Bateu aquela lembrança de levis do trem de Calmon Viana, tirou o pé, perdeu o espaço playboy. O plano era ir até uma outra ilhota pra nadar com pequenos tubarões. Na minha cabeça inocente eu achei que eles iam estar láaa no meio do mar, livres e soltos, e entraríamos na água e eles viriam mansamente passear do nosso lado. Claaaro que não :) Eles tem na verdade um cercadinho nada natural, onde uns 18 tubarões meio grandinhos ficam lá, presos. Parece muito que os tubarões que tem medo das pessoas, porque quando a galere entra na água eles se escondem :( Daí fica um manolinho com uma vara de pescar e um teco de carne, jogando aquela isca perto de você, até os tubarões chegarem perto e alguém tirar uma foto. Entretantsss o mais assustador desse tanque não são os tubarões, nem a escada enferrujada com tétano, mas sim um peixinho minúsculo que tem lá dentro. Minha amiga no começo disse que esse peixe mordeu o pé dela e eu nem acreditei, achei que era só aquele beijinho que os peixes dão de vez em quando e faz cosquinha. MAS MENINA, quando o peixe invocou comigo e veio pra cima de mim eu descobri o que é dor de verdade. É um poutz beliscão na perna e você tá lá no meio do tanque com medo de se agitar muito e seilá, invocar os tubarões que parecem mansos, mas são tubarões né? ahaha E também não é como se o peixinho se tocasse que tá incomodando, ele não vai embora nunca. Depois de uma sequência de 7 beliscões eu entendi o recado e sai do tanque.

Além disso eles tem uns outros animaizinhos num cercadinho e você pode ir lá e pegar e tirar foto. É meio triste, mas sem orgulho e como péssima turista que sou, claro que tirei foto com os pobres bichinhos.  Fiquei apaixonada por esse peixe GORDO E FOFO e espinhudo, que infla e desinfla, o Baiacu! Ahaha é muito engraçado, vários arrependimentos de não ter gravado um vídeo.

O tanque de tubarões e a cara de pimpão do peixe que infla <3

-PS: acabei de descobrir que essa porqueria de peixe é venenosa, então o sorriso que ele tem na foto é de deboche e não de felicidade-

Depois da paradinha, seguimos viagem para outra ilha, para fazer snorkeling e almoçar. Era uma hora de viagem e o mar estava beeeeem agitado. O barquinho já não era aquelas coisas, ainda mais com todo aquele amontoado de gente. O ~capitão~ e o volante do barco ficavam lá no fundão, e demorou uns 10 minutos pra eu olhar pra trás e perceber que era impossível o cara estar vendo pra onde ele tava guiando o barquinho. A viagem foi no típico indonesian fistaile, sem segurança, com ondas na cara, água entrando pelo barco todo, gente quase caindo e tal, uma coisa de dar inveja à qualquer parque de diversões. Tenho duas grandes lembranças desse momento; Minha mente cantarolando “Se a canoa não virar olêolêolá” e eu pensando se meu seguro cobriria algum acidente nesse estilo.. Mas juro que foi divertido (e meioaterrorizante).

Bota 20 neguin aí e você descobre o que é viajar com emoção.

Chegamos na ilha e o almoço era ~barbecue~. Peixe na brasa e pra acompanhar o nosso tão adorado arroz papa e molho de pimenta. Tava uma delícia, sem ironias! Perguntamos pro nosso guia onde iríamos fazer snorkeling de novo: “Later, later” “Mas aonde moço?” “Yes, up to you”. -na vida o que vale é sempre a boa comunicação.

Conhecemos uma pequena garotinha que mora nessa ilha e vai toodo dia de barco pra escola, que fica na ilha principal. O que significa, todo dia 1 hora no barco da morte pra ir, e mais uma hora pra voltar. Ê Charlinho, isso que é vontade de estudar!

Só faltou a cervedjinha gelada.

Mais snorkeling, mais fotos em praias paradisíacas, mais sol, água clara e felicidade. Mister John perguntou se queríamos ver o nascer do Sol no dia seguinte em uma praia ligeiramente perto do nosso hotelzinho. Ele disse que podíamos alugar um carro ou então motos e irmos. PARÊNTESES: Quando eu digo que ele perguntou significa que ele gesticulou grande parte, falou metade em bahasa,  perguntou pra outras pessoas como dizer aquilo em inglês, usou o tradutor do celular e gesticulou mais um pouco. Poucas memórias são tão fortes dessa viagem como a de Mister John apontando pro Sol, depois gesticulando um nascimento de criança, depois apontando pra praia e por fim fazendo a dança da motinho, com direito à efeitos sonoros. Decidimos avacalhar e alugar motos, mesmo sem ninguém jamais ter dirigido uma e sem carteira de motorista (não fica brava Mãe! ahaha). O aluguel na ilha custa US$ 5 e você pode ficar com a moto o dia inteiro. Acordamos às 4h da manhã, pegamos as motos que eram magicamente automáticas e ridiculamente fáceis de dirigir e lá fomos nós pra praia ver o nascer do Sol!

Nascer do Sol mais rosa e mágico!

Depois disso ficamos passeando por horas na Ilha principal de moto, e eu descobri o quanto é gostoso pilotar uma :) Fomos pra um rolet num mangue cilada onde supostamente veríamos aves raras e onde o guia falaria inglês. Nem um, nem outro. Seguimos pra mais uma praia e depois já voltamos pra home stay, arrumar as coisas para ir embora. “Mister John, que horas a gente precisa sair da home stay?” “Yes, yes, up to you”. -Desistimos.

Nossas companheiras de aventura pelo meio das, olha só, plantações de arroz ahaha

Ainda acho bem honesto pagar 75 obamas por tudo isso, mas foi só uma semana depois que eu voltei que eu descobri o quanto as professoras ganhavam mais ou menos aqui na escola.. O que é fogo porque há tantos lugares lindos aqui na região e quase ninguém que eu conheço e que mora aqui teve a oportunidade de ir.. A viagem inteira foi incrível e super valeu a pena :D O complicads mesmo foi voltar e acordar no dia seguinte, sem praia, sol e amor, na escola, com meus anjinhos gritando logo às 6h30 da manhã :)

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